Se você estuda ou trabalha com BIM, provavelmente já deve ter escutado sobre a ISO 19650, uma das normas mais importantes da metodologia.
À medida que o BIM cresce no mercado, também aumenta a necessidade de organizar os projetos que trabalham com a metodologia.
É justamente aqui que entra a ISO 19650. A norma chega para organizar os projetos que são desenvolvidos em BIM.
Muitas pessoas acreditam que ela foi criada para “substituir” o BIM, mas o seu papel, na verdade, é criar uma lógica clara para que a informação chegue à pessoa certa.
Em um cenário onde os projetos estão cada vez mais multidisciplinares, a ISO 19650 deixa de ser apenas um diferencial em um projeto e passa a ser necessidade.
Porém, muitas pessoas ainda não a conhecem verdadeiramente. Se você for uma dessas pessoas, não se preocupe. Neste blog, vamos mostrar todas suas partes para você entender de “cabo a rabo”.
Então, vamos lá? Boa leitura!
O que é a norma ISO 19650?
A ISO 19650, em geral, é uma série de normas internacionais voltadas à gestão da informação da metodologia BIM (Building Information Modeling) em um projeto.
Em vez de tratar apenas da modelagem de um projeto, a norma ISO 19650 olha para algo maior: como as equipes produzem, organizam, compartilham, revisam e armazenam as informações.
Ou seja, a norma funciona como um guia de boas práticas para colaboração de equipes e profissionais que utilizam BIM.
É comum encontrar profissionais que acham que BIM é apenas sobre modelagem com dados, mas vai além disso. Então, quando o “papo” é maduro, a norma ISO 19650 quase sempre entra na conversa.
Quais são as partes da ISO 19650?
O conceito apresentado acima foi apenas um geral da norma. No entanto, ele não é suficiente para conhecer a ISO 19650 por completo.
O catálogo oficial da ISO cataloga a norma em seis partes, sendo a sexta a mais recente, publicada em 2025.
Então, vamos lá conhecer as partes da norma ISO 19650? Veja a seguir!
Nota: Apresentaremos resumos de cada parte da norma, se você deseja ler por completo a ISO 19650, acesse o link e baixe o PDF gratuitamente!
Parte 1: conceitos e princípios
A Parte 1 apresenta a base conceitual da ISO 19650. É nela que aparecem os princípios gerais de gestão da informação, a lógica de colaboração e a linguagem que sustenta o restante da série.
Para quem está começando a entender a norma por agora, essa é a porta de entrada mais importante, porque ajuda a enxergar o BIM de forma menos limitada ao software e mais conectada a processos.
Parte 2: fase de entrega do ativo
A Parte 2 é uma das mais conhecidas, porque trata da fase de entrega do ativo, ou seja, do período que envolve projeto, desenvolvimento e construção.
É aqui que entram vários elementos práticos que o mercado costuma discutir, como requisitos de informação, BEP, organização das entregas, avaliação da cadeia de fornecimento e coordenação do fluxo informacional.
Para escritórios de arquitetura, interiores, engenharia e coordenação BIM, essa parte costuma ser a mais visível no dia a dia, porque impacta diretamente como as informações são preparadas e entregues ao cliente ou à equipe seguinte.
Parte 3: fase operacional do ativo
A Parte 3 desloca o foco para a fase operacional do ativo. Isso significa manutenção, operação, monitoramento e gestão das informações depois da entrega.
É uma parte decisiva para mostrar que a norma ISO 19650 não é apenas um padrão para “entregar projeto bonito”, mas uma estrutura para garantir valor ao longo do uso do empreendimento.
Esse raciocínio é especialmente importante para ativos públicos, edifícios corporativos, hospitais, aeroportos, indústrias e empreendimentos em que a gestão posterior pesa tanto quanto a fase de obra.
Parte 4: troca de informações
A Parte 4 trata da troca de informações. Em termos simples, ela aprofunda os critérios e processos envolvidos em cada exchange de informação.
Isso ajuda a reduzir ruídos entre quem produz e quem recebe dados, algo essencial em ambientes colaborativos com múltiplas disciplinas.
Parte 5: abordagem de segurança da informação
A Parte 5 apresenta uma abordagem orientada à segurança da informação.
Ela foi criada para ajudar organizações a entender vulnerabilidades e controles necessários quando determinadas informações do ativo ou do projeto podem representar riscos sensíveis.
Parte 6: informações de saúde e segurança
A Parte 6, publicada em 2025, trata de informações de saúde e segurança.
É a adição mais recente à série e reforça a ideia de que a informação bem estruturada também é um recurso estratégico para proteger pessoas, processos e ativos ao longo do ciclo de vida da construção.
Quais são os benefícios da ISO 19650?
Hoje, um projeto bem desenvolvido em BIM deve seguir, obrigatoriamente, a norma ISO 19650. Ou seja, esse já é o grande benefício de seguir a norma.
Projeto em BIM produz muitos dados, mas dados sem critério vira ruído. A ISO 19650 vai ajudá-lo a transformar essas informações em algo realmente útil.
Entre os principais benefícios, podemos destacar:
- Mais clareza de responsabilidades: porque a ISO 19650 ajuda a definir quem pede, quem produz, quem revisa e quem aprova a informação.
- Melhor colaboração entre equipes: já que a norma estrutura fluxos de troca e reduz retrabalho causado por versões soltas, perda de arquivos e falta de rastreabilidade.
- Maior previsibilidade nas entrega: com critérios mais claros para o que deve ser entregue, quando e em qual formato.
- Uso mais eficiente do CDE: porque a norma ISO 19650 não trata o ambiente comum de dados só como plataforma, mas como combinação de tecnologia, fluxo e regras.
- Apoio à operação e manutenção: especialmente com a Parte 3, que amplia a visão do BIM para além da obra.
- Mais segurança da informação: com diretrizes específicas para ativos e informações sensíveis.
No fim, o maior benefício da ISO 19650 é simples de entender: ela ajuda o BIM a funcionar como processo de gestão da informação, e não apenas como produção de modelos.
Como obter a certificação do ISO 19650?
Essa é uma dúvida comum entre os profissionais e estudantes de BIM.
Vamos direto ao ponto: não existe uma única “certificação oficial universal da ISO 19650” emitida pela ISO para profissionais de maneira padronizada.
O que existe no mercado são trilhas de capacitação, qualificação e certificação ligadas à aplicação da norma, além de esquemas de avaliação de conformidade para empresas e soluções.
Para profissionais, um dos caminhos mais reconhecidos hoje é a buildingSMART Professional Certification, que possui trilhas como Entry, Foundation e Practitioner.
O próprio programa deixa claro que aborda a gestão da informação segundo a série ISO 19650, além de princípios de openBIM.
Por outro lado, para empresas, o caminho costuma passar por treinamento, implantação de processos, auditoria interna e, em alguns casos, avaliação por organismos como a BSI, que oferece cursos e esquemas de certificação ligados ao universo BIM e à conformidade com a norma ISO 19650.
Como a norma ISO 19650 se aplica no setor da construção no Brasil?
No Brasil, a ISO 19650 vem ganhando espaço principalmente por causa da maturidade crescente do BIM em contratações públicas e em iniciativas de padronização.
O Decreto nº 10.306/2020 estabeleceu a utilização do BIM em obras e serviços de engenharia da administração pública federal, e o Decreto nº 11.888/2024 reposicionou a Estratégia BIM BR como política nacional de disseminação.
Além disso, documentos públicos recentes mostram a norma ISO 19650 sendo adotada como referência prática.
O DNIT, por exemplo, registra a série ISO 19650 como referência internacional em gestão da informação com BIM e informa que as Partes 1 e 2 já foram publicadas em português como ABNT NBR ISO 19650-1:2022 e ABNT NBR ISO 19650-2:2022.
Ou seja, o debate sobre ISO 19650 no Brasil já não está mais restrito a eventos e artigos técnicos. Ela está entrando em cadernos de requisitos, processos de contratação, capacitação e diretrizes de implantação.
A ISO 19650 é a mesma coisa que BIM?
Não! E entender isso muda bastante a forma de trabalhar.
A metodologia BIM é um processo de criação e gestão de informação ao longo do ciclo de vida do empreendimento.
Já a ISO 19650 é a série de normas que ajuda a organizar a gestão dessa informação quando o BIM está sendo usado.
Ou seja, BIM é o ecossistema de trabalho; a norma ISO 19650 é uma das bases que dão ordem a esse ecossistema.
Por isso, alguém pode usar Revit, por exemplo, e ainda assim não trabalhar de forma aderente à ISO 19650.
Do mesmo modo, adotar a ISO 19650 não significa escolher um software específico, mas sim estruturar processos, responsabilidades e trocas de informação com mais consistência.
Quais as melhores plataformas de colaboração BIM compatíveis com ISO 19650 disponíveis no mercado?
Quando falamos em plataformas de colaboração BIM alinhadas à ISO 19650, existe um ponto importante: nenhuma ferramenta, sozinha, garante conformidade com a norma.
O software é parte da solução, mas a aplicação real da norma ISO 19650 depende também de processos bem definidos, governança da informação e uma equipe preparada.
Ainda assim, algumas plataformas se destacam por oferecer recursos muito compatíveis com essa lógica de trabalho.
- Autodesk Construction Cloud: É uma das opções mais fortes para equipes que já trabalham com Autodesk e Revit. A plataforma oferece recursos voltados à organização documental, fluxos de aprovação, convenções de nomenclatura e gestão da informação em ambiente colaborativo.
- Bentley ProjectWise: muito reconhecida em projetos de infraestrutura e empreendimentos com alto nível de exigência documental. O ProjectWise se destaca pelo controle robusto de arquivos, automação de fluxos e suporte a processos mais complexos de coordenação.
- Dalux Box: É uma solução que vem ganhando espaço por sua proposta prática de gerenciamento da informação. Permite estruturar aprovações, áreas de armazenamento e convenções organizacionais que ajudam a apoiar fluxos alinhados à ISO 19650.
- Trimble Connect / Viewpoint For Projects: As soluções da Trimble também aparecem como alternativas relevantes para CDE e colaboração BIM. Elas ajudam a centralizar documentos, modelos e comunicações em um ambiente comum de dados, favorecendo mais controle e rastreabilidade.
No fim, a melhor plataforma vai depender do perfil da sua equipe, da complexidade dos projetos e do nível de maturidade BIM da empresa.
Conclusão
A ISO 19650 vem se consolidando como uma das principais referências para quem deseja entender o BIM de forma mais completa.
Conhecer a norma ISO 19650 é importante porque o mercado está ficando mais exigente.
E, à medida que o BIM amadurece no Brasil, entender como a informação deve ser organizada deixa de ser algo “extra” e passa a ser parte do repertório profissional básico.
Então, não deixe para depois o que você pode fazer agora. Comece a entender profundamente a norma e dê o próximo passo com seus projetos em BIM.
Se você quer continuar acompanhando conteúdos sobre BIM, Revit, produtividade e tecnologia para o setor AEC, acompanhe o blog da Blocks.
